Cana - setor enfrenta uma das safras mais difíceis de sua história

 

A Orplana está realizando diversos encontros com representantes das usinas e do Governo Federal, para buscar soluções à crise do setor. O baixo preço da tonelada de cana leva o  produtor a uma situação semelhante  ou pior à de 1999. O presidente da entidade, Ismael Perina Júnior, argumenta que a crise se agrava devido à concentração de poder nas mãos de poucas distribuidoras de combustíveis. “Hoje, seis grupos de distribuição detêm aproximadamente 75% do mercado no Brasil, contra cerca de 170 grupos compostos por usinas”.  
As distribuidoras compram o litro de álcool por R$ 0,6390 na usina (preço médio da última semana levantado pelo Cepea/USP). Na bomba de combustível, região de Ribeirão Preto, o álcool é vendido de R$ 1,29 a R$ 1,40. 
  “A distribuição e comercialização continuam tendo altas margens. Isso penaliza o setor produtivo. Ao mesmo tempo, o consumidor paga além do que deveria”, afirma. 
Segundo a Orplana, é fundamental que o Governo disponibilize recursos para financiamento dos estoques de açúcar e de álcool, aliviando a pressão de venda.  O produtor de cana e as usinas passam pela mesma situação de baixa remuneração pela matéria-prima e pelo produto. Dessa forma, estão juntos na busca por soluções.
“Este é um momento em que o setor produtivo tem de unir esforços para garantir sua  sustentabilidade. A questão do álcool é importante para o Brasil, pois é uma questão energética – energia limpa e renovável. Dessa forma, deve ser uma preocupação dos governos uma atuação efetiva para o desenvolvimento de todo o potencial do país na produção de etanol para os mercados interno e externo”, argumenta Ismael. 
Hoje, os preços da matéria-prima não cobrem os custos operacionais, que envolvem insumos e mão-de-obra. Ainda estão fora deste cálculo, os custos financeiros da terra como o arrendamento. Para produzir uma tonelada de cana, o gasto é de,  pelo menos, R$ 50,00. E de acordo com a média do estado hoje, o produtor recebe R$ 31,00 pela tonelada, com expectativa de fechamento de safra em R$ 35,00. 
“Quando o preço do álcool está baixo para o produtor, o consumidor não vê benefício na bomba. Porém, quando há algum ajuste da matéria-prima, a alta no posto é instantânea e a sociedade acusa o setor produtivo”, conclui o presidente da Orplana.