Nossa passividade poderá nos custar caro demais

 

Estamos assistindo, nestes últimos anos, a uma verdadeira avalanche de decretos e medidas provisórias que têm, em boa parte, massacrado a população como um todo, principalmente  aquelas pessoas que trabalham duro para honrar seus compromissos, e ficam sujeitas a uma carga de impostos difícilde ser paga.

Porém, gostaria de me ater a duas questões, que poderão levar os produtores rurais a serem taxados como bandidos. Uma diz respeito aos normativos trabalhistas, cada vez mais difíceis de serem cumpridos,principalmente na atividade deprodução agrícola.

Acontece que, da forma como vem sendo tratada esta questão, os produtores estão sujeitos a fiscalizações sem precedentes, acompanhadas de agentes armados da polícia federal, que invadem as propriedades. Pela intimidação, conseguem declarações, muitas vezes, que não refletem a realidade na qual vivemos. Somos produtores preocupados em cumprir nossa principal missão, que é produzir alimentos e energia.

Todos sabemos o quanto é difícil trabalhar sob o sol e, infelizmente,nesta área não há outro  jeito, e é assim no mundo inteiro. Sermos acusados de fatos como estarmos escravizando pessoas, é algo que não podemos aceitar. Assistimos, há pouco, a uma elevação dos preços dos alimentos e as acusações sobre nós foram as mais variadas. Mas, na verdade, não é
possível produzir, e vender abaixo do custo de produção.

Num determinado momento, a conta tem que ser paga. Nós sabemos, e toda pessoa consciente sabe, quem foram os grandes responsáveis pelo controle da inflação.
A outra diz respeito aos aspectos ambientais, e à forma como esta questão vem sendo tratada. Fomos surpreendidos no último dia 22 de julho, com a assinatura do Decreto Nº 6.514, que dispõe sobre as infrações e sanções administrativas relacionadas ao meio ambiente, que na nossa visão é um verdadeiro abuso do poder.

Matéria que não foi discutida com os órgãos representativos da agricultura e que interfere diretamente em nosso setor. Temos algumas condições específicas, principalmente no estado de São Paulo, onde a agressividade com que as multas estão sendo propostas, nos fará perder, em poucos dias, nossas propriedades agrícolas. Estamos, há um longo tempo, principalmente em nossa região, tentando fazer um trabalho de mostrar o que o campo e a agroindústria vêm
realizando durante anos. Infelizmente, os custos são altos e os objetivos não vêm sendo atingidos. Acho que é chegada a hora de nos espelharmos nos nossos vizinhos argentinos e em
seus produtores rurais, que realizaram um grande movimento com o apoio da grande maioria da população urbana, e mostraram a grande injustiça que estava sendo cometida.
Seguir rigorosamente o que está sendo imposto, tanto na questão trabalhista como na questão ambiental, na nossa visão, é ideologia de alguns maus brasileiros. E, lá na frente, quem vai pagar é a população, pois teremos um brutal aumento de custos e não haverá outra forma a não ser repassar para os preços dos produtos.

Precisamos urgentemente fazer com que a população urbana entenda os nossos problemas e a tenhamos como aliada contra esta busca insensata do poder pelos nossos governantes.

Ismael Perina Júnior
Presidente da Orplana